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Adán Calderara

Terra sensível ao social, com fortes sinais de laicismo, o Uruguai contrasta com o restante dos países latino-americanos, mais ligados às raízes religiosas. Adán Calderara nasce num povoado, último de cinco irmãos e, não obstante o laicismo típico do Uruguai, recebe dos pais uma clara formação cristã. Em Montevidéu aprende a profissão de mecânico, enquanto continua os estudos, à noite. É forte a sua busca de justiça, por isso participa de um grupo que aprofunda a doutrina social cristã.

Naquele período, o ano de 1964, começa a sua história com Silvina – que se tornará sua esposa – e conhece algumas pessoas do Movimento dos Focolares. “Eles contavam experiências de vida do Evangelho – recorda -, e experimentei, sem me aperceber, o calor da presença de Jesus entre nós”.

Adán e Silvina con i figli Mónica e AlejandroAdán e Silvina con i figli Mónica e Alejandro
Adán y Silvina com crianças Monica e Alejandro

De seu matrimônio nascem dois filhos, mas para assumir o sonho de Chiara Lubich e o convite feito às famílias dos Focolares, de “esvaziar os orfanatos”, adotam a sua terceira filha. Adán se compromete de forma sempre mais forte, e pela sua sabedoria e humildade, logo torna-se uma referência para a nascente comunidade dos Focolares. Possui uma capacidade apurada de “traduzir” o ideal de Chiara Lubich para o seu povo, fazendo uma sapiente obra de “enculturação”. Um exemplo disso é “A ideia do mês”, isto é, a Palavra de Vida (frase do Evangelho acompanhada por sugestões para que seja vivida no dia a dia), reescrita para pessoas que não conhecem a religião, e até contrárias a ela. Dessa maneira, muito descobrem um lado desconhecido de Jesus-Homem, toda a sua humanidade, e muitas vezes ficam fascinados.

Em 2001, após uma grave doença, Silvina vem a falecer. Com ela haviam formado, durante anos, as colunas do Movimento Famílias Novas: “Sempre nos amamos muito – Adán confidencia -. Percebemos que o amor não tem um teto e continua até o infinito, que vence a morte”.

Nestes anos seu amor tornou-se ainda mais refinado, sempre “ao serviço, como São José”, que cuida da família de Nazaré. No dia 26 de outubro de 2015 Adán recebeu o diagnóstico de um tumor grave. “Terminou a brincadeira: Silvina está me chamando para o seu lado”, foi o seu comentário espontâneo. A sua “brincadeira” consistiu em doar-se a todos, a cada irmão do focolare, que ama até o heroísmo, e a todos os membros da comunidade do Movimento no Uruguai.

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Com Roberto Almada e Agustín Lina

No hospital, a psicóloga que se ocupava dos doentes terminais, perguntou como ele se sentia. A sua resposta foi imediata: “Muito bem! Sabe por que? Porque, se tenho ainda pouco tempo de vida, em casa tenho muitas pessoas que me querem bem, e, se vou para outro lugar, lá também há muitas pessoas, talvez muitas mais, que me esperam e que me querem muito bem”.

Ainda uma semana de lucidez total: levantava de manhã e trabalhava no computador, tinha a pressa de querer terminar tudo o que havia começado. Arrumava os papeis, terminava relatórios, perdia tempo com todos os que iam encontrá-lo.

E quando perdeu a lucidez manteve o amor e o sorriso para todos, dos filhos e netos que amava tanto, a qualquer pessoa que foi visitá-lo. Até que no dia 17 de novembro, acompanhado por dois jovens focolarinos, expirou em paz.

Na leitura do dia lia-se: “E assim morreu, deixando não só aos jovens, mas à grande maioria do povo, a sua morte como exemplo de generosidade e lembrança de fortaleza” (2Mac 6,31).