Relembramos a trajetória de José Luiz da Costa Tavares.

José Luiz da Costa Tavares nasceu no dia 16 de fevereiro de 1956 na cidade de Salinas, região litorânea do estado do Pará. Mudou-se para Belém aos 19 anos para estudar e trabalhar, e pouco tempo depois recebeu o convite de um colega de trabalho para conhecer o Movimento dos Focolares. Mal ele sabia que sua vida se transformaria em uma verdadeira aventura a partir deste momento. Sensibilizado pelo carisma da Unidade, decide doar sua vida pelo Movimento dos Focolares como um focolarino de vida comum. 

Depois de um ano na Itália e um na Suíça, retornou ao Brasil para continuar sua vida de doação a Deus. Zé Luiz morou em Fortaleza, Manaus e em Belém – onde pôde levar o carisma da unidade, especialmente em Manaus, onde, no final de 89, juntamente com outros focolarinos, começaram o primeiro Focolare Masculino da cidade.

Ali novamente ele escreve à Chiara: “há nove meses estou em Manaus.  Queria te dizer tantas coisas; falar das florestas, dos rios, da gente simples, da aventura que fazemos viajando várias horas de barco. Tudo isso são somente desculpas para ter a alma direcionada somente para Jesus Abandonado. […] assim a vida que vivemos é sempre bela e verdadeira”. 

Já em 1993 chega à Mariápolis Glória, em Belém, onde ficou até esses últimos anos, sempre acompanhando a Escola de Formação dos jovens. Muitos desses jovens contam que a presença de Zé era profunda e cativante. “Ele me ajudou em um dos momentos mais difíceis da minha vida. Obrigado pelos conselhos, risadas, ensinamentos, por ter semeado amor em toda sua caminhada”; “Você foi para mim um pai, um irmão, um amigo. Suas palavras e ensinamentos marcaram profundamente minha vida. […] foi um dom para mim e para muitos”; ” Um grande e ‘velho’ amigo”. 

Seus últimos meses

Em setembro do ano passado, dores e dificuldades levaram Zé a realizar vários exames. Com o resultado em mãos, ele escutou a gravidade da situação e em nenhum momento sua reação foi de perguntar o porquê aquilo acontecia com ele, mas simplesmente “como” ele viveria o que estava por vir. O que se sucedeu a esta conversa demonstra sua disposição de permanecer de coração aberto: ao dar carona para outras duas pessoas, logo após a notícia de sua doença, conversava com a mesma serenidade e felicidade, como se nada tivesse acontecido.

Uma maratona de exames, biópsia e duas cirurgias ocorreram depois. Suas dores intensas não eram externadas, mesmo que todos que estivessem em sua volta compreendessem a seriedade – mas nada o abalava. No dia a dia, amava sempre, preparava o almoço, varria a casa, fazia um bolo ou apenas assistia à campainha.

No lugar da dor, luz, força e generosidade transpareciam no olhar de Zé. 

Em sua primeira sessão de quimio, não sentia vontade de se alimentar, pois tudo fazia mal. Com isso, veio a fraqueza. Um dia, ao demorar para levantar, seus amigos do Focolare o encontraram na cama com a glicose muito baixa e dificuldade para respirar, foi então que precisou ser internado pela primeira vez. 

  Durante o tempo que ficou no hospital, fazer companhia para Zé era uma dádiva: seu jeito brincalhão sempre fazia todos rirem. “ Eu não quero dar trabalho a vocês de ter que ficar comigo no hospital”, repetia ele para o amigo Anchieta, que ressaltava que ele não se preocupasse com isso. 

Uma nova cirurgia precisou ser marcada. Dali em diante precisou ficar na UTI e como  não poderia ter acompanhante, seus amigos do Focolare o viam somente em alguns momentos de visita. Ali, começaram a perceber que seu período estava sendo concluído entre nós. No dia 3 de setembro, às 12h,  receberam a notícia de que, às 11h35, o Zé havia partido. Ele estava sendo recebido por Chiara Lubich, sua mãe espiritual. 

Ninguém passava despercebido por Zé, e sua memória jamais será esquecida por toda a família Focolare. Sua autenticidade, sinceridade e alegria viverão para sempre em nós. Ao Zé, nosso eterno obrigado.