Quais as 10 boas razões para ser arquitetos hoje? Qual é o ‘habitar’ que devemos assumir, considerando as novas necessidades, expectativas e também os sonhos de quem vive este tempo? Como projetar espaços que contribuam para o bem-estar do homem?

Foram algumas das questões lançadas por “Diálogos em Arquitetura” (D.A.) num dos vários workshops realizados no âmbito do VII World Urban Forum, promovido por UN Habitat – agência das Nações Unidas – intitulado “Equidade urbana em desenvolvimento. Cidade para a Vida”.

O Fórum mundial realizou-se em Medellin, de 3 a 11 de abril, com 20 mil participantes provenientes do mundo inteiro. Foram 600 as atividades paralelas: seminários, workshops, conferências e exposições. Um espaço apropriado para se questionar e refletir sobre a crescente desigualdade que investe os centros urbanos do planeta.

“Diálogos em arquitetura” propõe-se, como espaço de aprofundamento cultural e estímulo civil e profissional, a imaginar, projetar, construir, espaços de comunhão e de reciprocidade na cidade contemporânea. O workshop promovido por D.A. realizado no dia 10 de abril, numa das 16 Bibliotecas urbanas de Medellin, focalizou algumas experiências feitas no território, como a do Barrio de La Merced de Bogotá. Laura Sanabria, do Observatório Urbano da Universidade deLa Salle, junto com o arquiteto Mario Tancredi, relatou que trabalham, em colaboração com outros colegas, procurando estabelecer relacionamentos entre as instituições públicas e as pessoas da cidade. Também falaram sobre a criação de um Consultório Móvel ao serviço das necessidades da comunidade. Evidenciaram que uma das características que está na base de “Diálogos em Arquitetura” é a importância do valor da fraternidade como “motor” de uma arquitetura ao serviço do homem.

No Bairro de La Merced

Como dialogar e trabalhar em particular nos contextos das metrópoles latino-americanas, como Bogotá e Medellin? Alguns jovens arquitetos colombianos de D. A. organizaram, também no âmbito do Fórum, visitas guiadas a Bogotá e a Medellin. Juliana Valencia conta: “Foi um verdadeiro treinamento em sala de aula estar no Barrio de La Merced e poder entrar nas histórias daquelas pessoas, na vida do povo. O contato vivo com as crianças e com os coordenadores do Centro Social Unidad, iniciado pelo Movimento dos Focolares junto com as pessoas do barrio, foi a primeira forte imersão nas chagas e nos desafios daquela gente que, com a força do amor e da confiança, consegue, dia após dia, conquistar os próprios direitos e viver uma vida digna”. E continua: “No Bairro de ‘La Candelaria’ mergulhamos no coração histórico e cultural da cidade que atraiu artistas, escritores e intelectuais, também estrangeiros, que encheram a região de teatros, bibliotecas e centros culturais. Visitamos algumas das obras de arquitetura de Rogelio Salmona, onde a construção do espaço coletivo ocupa o lugar central. E enfim, a visita ao Museu do Ouro levou-nos às raízes da riquíssima civilização pré-colombiana”.

“Os tempos de hoje pedem-nos uma visão diferente da arquitetura”, concluiu Juliana. “A fragilidade do contexto é o nosso ponto de ação para nos podermos manter em pé na crise. A beleza agora é um tema relativo. Olhar para o mundo na ótica de uma disciplina não funciona, por isso o nosso ponto de partida não pode ser outro senão o próprio homem, as suas necessidades e o seu relacionamento com o espaço”.

O próximo encontro de D.A. será em junho, em Espanha: Barcelona ArquitecturaLimite (arquitecturalimite365.wordpress.com )