Aos 95 anos de idade, faleceu em Alagoinhas/BA, no último 12 de abril, Dom Jaime Mota de Farias, bispo emérito da Diocese de Alagoinhas/BA.

Nascido em São Bento do Una, interior pernambucano, aos 12 de novembro de 1925, ingressou no seminário Maior Nossa Senhora da Graça, em Olinda/PE, no ano de 1946, sendo ordenado sacerdote em 1957.

Exerceu seu ministério sacerdotal como formador no Seminário São José, em Garanhuns/PE, no Colégio Diocesano de Garanhuns, e como pároco de Bom Jesus do Arraial, no Recife, e da Catedral de Garanhuns.

Foi no período em que era Reitor do Seminário de Garanhuns que se deu o encontro de Dom Jaime com o carisma da unidade, como bem recorda Dom José Palmeira Lessa, arcebispo emérito da Arquidiocese de Aracaju:

 “Foi no ano de 1964 que conheci Pe. Jaime. Chegando em Garanhuns para minha primeira Mariápolis, hospedei-me no Seminário, onde ele era reitor. À época, Pe. Jaime ainda não tivera contato com a espiritualidade da unidade. Se bem me recordo, encontravam-se em Pernambuco, nesse mesmo período, Padre Enrico Pepe e Padre Tony Weber. O primeiro trabalhava na Diocese de Palmares, onde Dom Acácio era o Bispo, e o outro, em Recife, no Seminário Maior. Embora não oficialmente, pois ainda não nascera o movimento sacerdotal, eles constituíam o focolare sacerdotal

Pe. Jaime, atraído pela alegria dos mariapolitas e pelo testemunho de unidade desses dois sacerdotes, tomou a decisão de participar de uma Mariápolis. Foi então que Pe. Jaime partiu de Palmares com Dom Acácio e muitas outras pessoas, num ônibus alugado, para a Mariápolis em São Paulo. No envolvente e penetrante clima de Jesus no meio da Mariápolis, o pedido de Jesus “Pai, que todos sejam um” penetrou com tanta luz e intensidade na alma de Pe. Jaime que se transformou em seu objetivo e estilo de vida sacerdotal. 

Para um maior aprofundamento da espiritualidade da unidade, o ainda Pe. Jaime fez na Itália a escola sacerdotal onde pôde exercitar, com numerosos sacerdotes dos mais diversos países e culturas, a primazia da mútua e contínua caridade que dá vida a Jesus no meio à coletividade.

Quando eleito Bispo, emergiu espontaneamente de seu coração o lema ‘Para dar testemunho’, que o iluminou no percurso de toda a sua vida e exercício do ministério episcopal. Era um Bispo Mariano, silenciava o seu ‘eu’ para ouvir Deus, era acolhedor e dava espaço a Jesus no irmão.”

A nomeação como Bispo Auxiliar da Diocese de Nazaré, em Pernambuco, se deu no dia 21 de julho de 1982. Três anos depois foi nomeado como segundo bispo titular da Diocese de Alagoinhas, na Bahia, permanecendo no cargo até 24 de abril de 2002, quando apresentou sua renúncia ao então Papa São João Paulo II.

Foi à frente da Diocese de Alagoinhas que o agora Dom Jaime solicitou aos responsáveis pelo Movimento dos Focolares no nordeste do Brasil que enviassem um casal para ajudá-lo em questões administrativas. Em atenção a esse pedido, transferiram-se de Itabuna para Alagoinhas Ilenildo e Dileta, casal de focolarinos, com os três filhos, onde permaneceram por 13 anos. Deste período ao lado de Dom Jaime, trabalhando como ecônomo da diocese, Ilenildo nos conta:

“‘Eu venho aqui para amar’ foi o seu programa ao assumir a diocese de Alagoinhas.

Ele soube muito bem vivenciar este seu programa, e o amor em forma de misericórdia vinha em relevo. Sempre procurava uma forma de compreender a falta de alguém, como uma mãe que sempre encontra uma desculpa para os deslizes de seu filho. Assim era Dom Jaime: amor e misericórdia. 

Sendo autoridade, na função de bispo diocesano, não se distanciou do seu rebanho, e com seu jeito simples cativou a todos, sobretudo os pobres. 

Combateu um bom combate… guardou a fé. Agora certamente foi acolhido na pátria celeste.”

Após sua renúncia como bispo diocesano, Dom Jaime permaneceu residindo em Alagoinhas, participando das diversas atividades pastorais da diocese e celebrando missas diariamente tanto em sua residência, quanto nas comunidades das paróquias de Alagoinhas. 

De seu velório e sepultamento, realizado na própria catedral de Alagoinhas, aos 13 de abril, nos conta Dom Lessa:

A Missa de corpo presente de Dom Jaime foi um transbordamento de Vida do Ressuscitado. Dos paramentos brancos usados pelos Bispos celebrante e concelebrantes, dos cânticos ao clima sobrenatural reinante, em tudo se sentia a presença de Deus. 

Todo o clero, na sua maioria padres acolhidos, formados e ordenados por Dom Jaime, agradecido, concelebrava. Houve quem derramasse lágrimas! O povo de Deus, leigos e leigas, apesar das recomendações e limites impostos pela pandemia, fez-se presença numerosa, amorosa e orante. Tudo falava de Deus! O corpo eucaristisado sepultado, não dentro da catedral, mas fora do templo, ao lado, a pedido do próprio Dom Jaime, santifica a terra e aguarda a ressurreição. Feliz Páscoa, Dom Jaime!