20150528-01«A minha paróquia atual encontra-se num bairro de Bratislava, capital da Eslováquia – comenta padre Ludovit. Conta com cerca de 4300 habitantes, dos quais 3500 são cristãos, em crescimento contínuo.

Sabia que a minha primeira tarefa aqui, onde cheguei em julho de 2009, seria amar as pessoas com o amor de Jesus. Agora posso dizer que estou feliz. Nasceu uma comunidade muito bonita, com pessoas de idades diferentes e de todas as categorias sociais, provenientes de várias cidades da Eslováquia que descobriram um relacionamento novo com Deus, não só através da Bíblia e da oração, mas também através da vida comunitária e das várias atividades paroquiais. Aqui elas encontraram a alegria da fé pela qual vale a pena viver.

Quando cheguei faltavam os jovens: o Estado tinha proibido novas construções e, portanto, os casais jovens tinham-se transferido para outros lugares. Além disso, não havia sido feito um trabalho de formação na fé, para as poucas crianças e adolescentes que viviam aqui. Encontrei três jovens com vontade de me ajudar, mas estavam mergulhados nos estudos e no trabalho.

Então, convidei os adolescentes e os jovens que tinham sido crismados recentemente para um churrasco. Por respeito vieram, mas disseram que não iriam voltar: “Já recebemos a crisma, portanto, agora não precisamos mais frequentar a igreja”, disseram-me. Diante desta situação, procurei entregar tudo a Jesus.

Desde setembro de 2009, ensino o catecismo em todas as classes da escola elementar e média (cerca de 150 crianças). Ao mesmo tempo, comecei a missa dominical para as famílias. Procurei aproveitar cada ocasião para criar novos relacionamentos com as pessoas: cumprimentar quando cruzo com alguém na rua, fazer uma visita, trocar algumas palavras no supermercado, no escritório ou na escola. E ainda: convidar para um lanche e para praticar esportes no campo de jogos da paróquia. Pouco a pouco, as pessoas começaram a participar. Progressivamente criou-se uma comunidade: crianças que não queriam faltar, jovens mães que descobriam serem próximas entre si pela idade dos filhos, pais que se convidavam para os vários trabalhos na igreja e na casa paroquial, mas também para irem jogar tênis ou para tomar uma cerveja juntos. Até o prefeito e alguns deputados começaram a participar. Um dia, Jesus mandou-me também a Blanka, atual diretora do coro e animadora de muitos eventos».

«Muitas pessoas dizem que a nossa é “uma paróquia viva” – afirma Blanka. Apesar das nossas diferenças pessoais, constantemente procuramos aquilo que nos une, e voltamos sempre à fonte da unidade, do amor e do perdão, que é Jesus. Nós, pais, procuramos criar as condições práticas para que muitas atividades possam ser realizadas. Muitas vezes, devemos dar do nosso tempo, abrir mão do descanso ou deixar de lado os afazeres domésticos, porém é muito bonito ver que todos apoiam não só os próprios filhos, mas todos as “nossas” crianças. Como acontece com Michel, o meu filho autista já adolescente. Estou muito contente por ver que os outros jovens abrem as portas para ele e o acolhem, porque não o discriminam. Michel gosta muito deles e sente que todos são como a sua grande família».

«Sou médica imunoalergologista, e trabalho no Hospital pediátrico universitário de Bratislava – continua Dagmar. O Centro pastoral e a creche paroquial, que foram construídos, tornaram-se como “polos” de várias atividades para os nossos filhos, e o número daqueles que participam está crescendo muito. Um dia, em maio de 2012, o padre Ludo perguntou-me se eu estava disponível para participar, como médica, num campo-escola de verão para adolescentes da nossa paróquia. No primeiro momento, respondi que não. Mas depois, lembrei-me dos rostos dos jovens que conhecia. Acabei por dizer que sim e já participo desta atividade há quatro anos! Tornei-me mais sensível ao sofrimento das crianças e aos seus medos por causa da saúde, quando estão longe dos seus pais. Esta experiência também ajudou-me a aprofundar o sentido de serviço aos outros».

«Um encontro muito importante – conclui o padre Ludo – aconteceu no ano passado em Benevento (Itália), organizado pelo Movimento Paroquial. Os nossos jovens que participaram trouxeram “um novo encorajamento, uma nova força espiritual, um relacionamento mais próximo com Deus, – disseram – e, principalmente, a vontade de viver ‘comprometidos com o amor verdadeiro’, porque qualquer coisa que fazemos, se não tem amor, perde o seu valor e o seu significado”. Para mim foi uma confirmação de que a comunidade não só nasceu, mas consolidou-se, e baseia-se também na fé dos jovens. Portanto, o futuro também está garantido».