Gen's

Gen's“Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado”.

São palavras do Papa Francisco na Bula na qual, no dia 11 de abril passado, anunciou o Ano jubilar da misericórdia. Deus “não Se limita a afirmar o seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua própria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias”.

Papa Francisco, evidentemente, não tem a intenção de colocar entre parênteses a fidelidade à verdade e a clareza doutrinal, antes, quer conjugá-las com a situação na qual as pessoas vivem. E não para ceder a compromissos, mas, por fidelidade àquele Deus cuja Verdade realizada é o Amor. Uma mensagem libertadora que não deixa ninguém em paz.

É o binário no qual se endereça o caminho dos dois Sínodos dos bispos sobre a família. Um caminho a ser vivido – como lembra o memorando enviado às dioceses em vista da próxima Assembléia – “na dúplice escuta dos sinais de Deus e da história dos homens e na dúplice e única fidelidade que resulta da escuta”, colocando-se com realismo diante da família hoje e, ao mesmo tempo, tendo “o olhar fixo em Cristo para repensar com renovado vigor e entusiasmo quanto a revelação, transmitida na fé da Igreja, nos diz sobre a beleza, a função e a dignidade da família”: o Evangelho da família.

De uma parte fidelidade ao desígnio de Deus que não deve entendido “como ‘jugo’ imposto aos homens, mas, sim como um ‘dom’”, como uma “boa notícia” que se coloca ao serviço da realização mais profunda e da felicidade das pessoas; mas, fidelidade, de outra parte, às pessoas na situação em que estão vivendo, e com frequência sofrendo, em uma sociedade complexa e com uma interioridade – própria e dos outros – não menos complexa da qual derivam multíplices fragilidades.

A palavra-chave é a arte do acompanhamento. A este propósito, Papa Francisco evidencia na Evangelii gaudium: “sem diminuir o valor do ideal evangélico, é preciso acompanhar, com misericórdia e paciência, as possíveis etapas de crescimento das pessoas, que se vão construindo dia após dia”. É necessário aprender  a “a descalçar sempre as sandálias diante da terra sagrada do outro (cf. Ex 3, 5). Devemos dar ao nosso caminhar o ritmo salutar da proximidade, com um olhar respeitoso e cheio de compaixão, mas que ao mesmo tempo cure, liberte e anime a amadurecer na vida cristã”. Um válido acompanhante, de fato, “não transige com os fatalismos nem com a pusilanimidade. Sempre convida a querer curar-se, a levantar-se (cf. Mt 9, 6), a abraçar a cruz, a deixar tudo e partir sem cessar para anunciar o Evangelho”.

A Igreja é chamada a atuar um programa que requer empenho – como consta ainda no memorando – “com ternura de mãe e clareza de mestra (cf. Ef. 4,15)”. É sim, “A Igreja”: não só os bispos e os presbíteros, mas, todo o Povo de Deus. “Sem o alegre testemunho dos cônjuges e das famílias, igrejas domésticas, o anúncio, ainda que correto, arrisca ser incompreendido ou de submergir no mar de palavras que caracteriza a nossa sociedade

Texto integral em italiano, com reflexões e testemunhos: Rivista di vita ecclesiale Gen’s.