Às comunidades e aos membros do Focolare no Brasil

Na próxima quarta-feira, 17, inicia-se a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021, com o tema Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor. A Campanha da Fraternidade é a principal atividade da ação evangelizadora da Igreja no Brasil desde 1964, a partir da experiência iniciada em 1961 na Arquidiocese de Natal.

No ano 2000, quando se celebraram os 500 anos da presença da Igreja no Brasil, numa ação de diálogo com as Igrejas cristãs de outras denominações, a CNBB convidou as Igrejas-membro do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC, a realizarem junto com ela a Campanha da Fraternidade daquele ano, um marco histórico do diálogo ecumênico no Brasil. A partir de então, a cada 5 anos, é repetida a experiência com o nome de Campanha da Fraternidade Ecumênica, cabendo sua elaboração e realização ao CONIC, com a participação igualitária de todas as igrejas que dele fazem parte, inclusive a Igreja Católica, uma de suas fundadoras.

Celebrando este grande acontecimento de nossas Igrejas e recordando o significado que ele tem para nós que buscamos seguir o Carisma da Unidade, estamos convidando todos os membros do Movimento dos Focolares no Brasil a se empenharem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, em suas paróquias e dioceses, assim como nas atividades que serão desenvolvidas no âmbito interno do Movimento em nossos regionais, sempre buscando viver como Chiara um amor apaixonado pela Igreja, em unidade com nossos pastores. As nossas redes do 1° e 2° Diálogos (diálogos protagonizados pelo Movimento dos Focolares com outros movimentos católicos e com outras igrejas cristãs, respectivamente) e do Movimento Paroquial estimularão atividades locais.

Recordamos também a importância de contribuirmos, conforme nossas possibilidades pessoais, na oferta que toda a Igreja no Brasil fará no Domingo de Ramos para o Fundo Nacional de Solidariedade. Esse Fundo é gerido pela Caritas Brasileira e se destina ao financiamento de obras sociais de entidades da Igreja, sendo vedada – por decisão da Assembleia Geral dos Bispos da CNBB – sua utilização em qualquer outra atividade.

Reafirmando a importância de nosso empenho no Diálogo Ecumênico, que se concretiza também nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, lembramos com gratidão a Deus o momento vivido por Chiara na Assembleia Geral da CNBB, em 27 de abril de 1998. Era uma tarde dedicada ao Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC, tendo Chiara falado sobre o Diálogo Ecumênico aos bispos católicos do Brasil e aos bispos, pastores e pastoras das diversas igrejas de denominação cristã. Após sua fala houve um belo momento de oração e escuta da Palavra, quando foi pedido a Chiara que dirigisse a oração final.

Partilhamos com todos, a seguir, o texto daquela oração feita por Chiara, que poderá ajudar a todos nós neste tempo em que nos empenhamos no diálogo com nossos irmãos e irmãs, da Igreja Católica e das demais igrejas cristãs em todo o Brasil.

Brasília, 15 de fevereiro de 2021

Juliana Fonseca

João Batista de Brito

1Cristo é a nossa paz: Do que era dividido fez uma unidade. Efésios, 2,14A

No caminho da unidade

Oração espontânea de Chiara Lubich na Celebração Ecumênica da 36a. Assembleia Geral da CNBB (Itaici, SP, 27 de abril de 1998)

“Jesus, acho e tenho certeza de que estás aqui entre nós, por isso eu me dirijo a ti, vivo, ressuscitado, ressuscitado em meio a nós, bispos católicos, leigos e leigas, como eu, e de bispos e responsáveis de outras Igrejas.

Jesus, tu estás realmente entre nós, porque nos amamos em ti, estamos unidos no teu nome, estamos aqui para fazer algo, para dar um passo em frente na unidade das Igrejas.

Estamos conscientes de como foram os séculos passados: tremendos, terríveis, que dilaceraram o teu coração e o coração de tua mãe, mãe da unidade.

Então, eis-nos aqui, todos unidos, para falar a ti diretamente, porque estás aqui Jesus. E nós te dizemos: perdão, Jesus, perdão por tudo aquilo que aconteceu em todos os séculos. A nossa voz quer ser a voz de todas as pessoas, de todos os cristãos do passado e do presente. Também em nome deles te pedimos perdão.

Mas principalmente, Jesus, nós temos uma fé imensa no teu amor, na tua misericórdia. Nós sabemos que o teu amor e a tua misericórdia são maiores do que tudo o que aconteceu e acontecerá nos séculos passados e futuros.

Então nós nos abandonamos confiantes neste amor. Assim como uma mãe não recorda dos erros dos próprios filhos, temos a certeza de que, se nós nos dirigirmos com confiança a ti, tu te esquecerás de tudo, porque sabes perdoar e esquecer.

Então, Jesus, permite que sejamos teus instrumentos, que as nossas mãos, unidas a muitas outras, comecem a trabalhar pela unidade, pois se ninguém semear ninguém colherá.

Creio que vivos não veremos aquela belíssima Igreja, tal como tu a fundaste, porém, do Paraíso esperamos vê-la. Entretanto, dá-nos a chance de viver os anos que nos restam pela unidade, para que todos sejam um.

Amém.”