Em entrevista ao Focolares Brasil, Klaus Brüschke compartilha conosco as funções do novo cargo, suas expectativas e visão do Movimento dos Focolares para os próximos seis anos.

Entre os dias 24 de janeiro e 7 de fevereiro, centenas de pessoas de diferentes nacionalidades participaram da Assembleia Geral 2021 do Movimento dos Focolares, este ano em formato on-line.

Na ocasião, foi eleita a nova presidente Margaret Karram e os 22 novos conselheiros gerais, que provêm de 16 países e 4 continentes, dentre eles o focolarino brasileiro Klaus Brüschke. Convidamos Klaus para compartilhar conosco sua experiência com a Assembleia e sobre sua nova função internacional no Movimento. 

Como foi para você participar desta Assembleia tão significativa para o Movimento, em meio à pandemia da Covid-19?

Klaus – Eu não fazia parte da “delegação brasileira” que participou da Assembleia desde seu início. Mas tive a graça de contribuir com ela em alguns momentos como tradutor e assim ser testemunha das ricas conversas sobre os temas nos quais se refletiu. Depois participei como membro na aprovação de seu documento final. A meu ver, este foi o resultado de um “processo sinodal” em que, apesar das limitações impostas pela pandemia (a Assembleia teve de ser toda feita virtualmente), foi possível divisar os vários clamores da sociedade contemporânea, agudizados pela Covid-19, e traçar diretrizes de como o Movimento, com seu Carisma da Unidade, pode ir ao encontro dos que mais sofrem, dos excluídos, e com eles avançar rumo ao “Que todos sejam um”. 

Pode nos explicar o que significa ser um Conselheiro?

Klaus – O carisma do Movimento dos Focolares é a unidade (“Que todos sejam um”), que, do ponto de vista cristão, significa a unidade na diversidade. O Conselho é um “corpo” que auxilia a presidente e o copresidente do Movimento a ser expressão da unidade do Movimento. E isso só é possível numa relação de amor, ainda que seja um amor “organizado” e “organizativo”. Por isso, as tarefas dos conselheiros são revestidas de amor, que se traduz em vários aspectos da vida dos seres humanos em sua relação com Deus e com os próximos: comunhão de bens, economia e trabalho; testemunho e irradiação; união com Deus e oração; vida física e natureza; harmonia e ambiente;  sabedoria e estudo; unidade e meios de comunicação. 

Quais atribuições são de encargo de um Conselheiro?

Klaus – Cada um dos aspectos mencionados na resposta anterior é atribuído a uma conselheira e a um conselheiro. Além disso, o Movimento dos Focolares tem sua distribuição geográfica no mundo dividida em Grandes Regiões, e também estas são acompanhadas por uma conselheira e um conselheiro. É importante frisar que um conselheiro não é um “ministro” de um determinado setor, mas presta um serviço, a partir da tarefa que lhe foi confiada, em favor da unidade, quer da unidade do Movimento, quer da caminhada humana para um mundo mais fraterno, para um mundo unido.

Como você enxerga que serão os próximos 6 anos da Obra?

Klaus – Com o falecimento da fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich, encerrou-se a fase de sua fundação e teve início uma fase de atuação e atualização do Carisma da Unidade nas atuais circunstâncias históricas, sociais, geográficas etc. concretas (atuação e atualização, aliás, presentes desde os primórdios do Movimento). Nos últimos anos, o Movimento empreendeu decididamente uma caminhada “em saída, juntos e devidamente preparados”. A pandemia da Covid-19, que tanto sofrimento tem provocado, evidenciando as contradições, desigualdades e exclusões da sociedade, também se revela, paradoxalmente, um tempo favorável para expressar o amor. A Assembleia salientou essas oportunidades de se viver o Evangelho na perspectiva do Carisma da Unidade, e enxergo que os próximos seis anos podem ser, de um lado, um aprendizado rico, ainda que árduo, desse compromisso evangélico ainda mais comprometido, e de outro lado, uma colheita de frutos provavelmente ainda mais abundantes daqueles que já vem sendo colhidos nestes anos.

Quais as suas expectativas neste novo cargo?

Klaus – É preciso dizer que Margaret Karram, a nova presidente, ainda não atribuiu a nós, conselheiros, as tarefas específicas. Quando meu nome foi indicado para ser apreciado pela Assembleia, não me considerei capacitado para essa tarefa, mas deixei às irmãs e aos irmãos eleitores que avaliassem isso. A confiança que a Assembleia depositou em mim e nas demais conselheiras e demais  conselheiros que foram eleitos eu acolho como uma confiança que Deus, que é amor, deposita em cada um de nós. Penso que, antes de mais nada, será possível corresponder a essa confiança, ou melhor, à responsabilidade que a Assembleia expressou (pela eleição e também pelas diretrizes que estabeleceu) somente com a presença de Jesus entre nós. Por isso, a primeira incumbência é vivermos entre nós o amor mútuo a fim de que se realize a promessa de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles”. A segunda incumbência é “deixar-se surpreender” pelo que o Espírito Santo realizará. Quem sabe daqui a seis anos quantas histórias belas teremos para contar…