PeppuccioA personalidade e a vida do Peppuccio foram realmente ricas. Dotado de uma profunda interioridade e de uma aguçada capacidade de estudo e de reflexão, pôs os seus talentos ao serviço do carisma de Chiara Lubich, evidenciando a sua dimensão cultural, doutrinal e profética.

Ainda este ano – apesar dos seus 85 anos – esteve por quase dois meses na mariápolis permanente de Montet (Suíça), para transmitir as jovens que se preparam para a vida de comunidade no Focolare a experiência espiritual de Chiara, deixando em todos eles um rastro de luz. Regressando a Rocca di Papa, os dias transcorriam num clima de simplicidade, caracterizados por uma sempre maior e fraterna ternura em relação a cada uma das pessoas com quem vivia. Não dava nenhum sinal de que poderia acontecer um declínio tão rápido.

Nasceu em Siracusa, na Sicília, no dia 16 de dezembro de 1929. Deixou a ilha muito cedo, porque o pai, que trabalhava no Tribunal de Contas, foi transferido para a Lombardia (Norte da Itália). O Peppuccio passou ali a sua infância e o início da adolescência. Retornou para a Sicília com a família, e formou-se em filosofia na universidade de Catania, onde sofreu a influência de pensadores ateus e do fascínio das filosofias orientais. Estava prestes a começar um namoro, quando um amigo apresentou-lhe uma das primeiras focolarinas que estava de passagem em Siracusa. Fulgurado pela experiência do Evangelho vivido narrada por ela, Peppuccio começou a mudar de vida. Participou nas primeiras “Mariápolis” nas Dolomitas, mas pela sua índole impetuosa fugia durante a noite. Mas, sempre retornou, convencendo-se de que valia a pena comprometer-se por um ideal tão grande. E assim pediu para Chiara Lubich para ser um focolarino.

Depois de alguns anos vividos em vários focolares da península, foi um dos iniciadores da primeira Escola dos focolarinos em Grottaferrata (Roma). A seguir, docente no Instituto Mystici Corporis de Loppiano (Florença). Em maio de 1970, Chiara confiou-lhe a guia do Movimento Gen, tornando-se formador de gerações inteiras de jovens. «Foram anos marcantes – dizem os gen daquela época – dos inesquecíveis congressos internacionais nos quais, sob a sua sábia direção, nasceu do contributo de cada um a “Fórmula Gen”, primeira tentativa de exprimir a nossa fisionomia como Movimento Gen».

Aos 44 anos Peppuccio foi ordenado sacerdote.

Entre as várias incumbências que teve: a direção da revista cultural Nuova Umanità e do centro cultural dos Focolares, a Escola Abba, junto com Chiara.

Autêntico testemunha das inovadoras intuições de Chiara, como intelectual perfeito, soube pô-las em destaque – valorizadas pelas categorias filosóficas e teológicas por ele amplamente aprofundadas – mediante publicações e envolventes conversações, tornando-se assim um entusiasta divulgador do carisma da unidade.

Testemunhou o teólogo Piero Coda, presidente do Instituto Universitário Sophia: «As páginas escritas por Giuseppe Zanghì foram ditadas pelo amor e impregnadas de sabedoria, que brotaram do ímpeto pela obediência a uma tarefa, do exercício de uma vocação acolhida com alegria superando inúmeros obstáculos, por uma proximidade com Chiara intensamente vivida e que frutificou até ao fim».

A Peppuccio foi confiado o aspecto cultural do Movimento, missão que realizou com entusiasmo, período durante o qual nasceu o ISC (escola de verão dedicada aos jovens), pródromo do Instituto Universitário Sophia. Contemporaneamente, por alguns anos dirigiu também o Centro para o diálogo inter-religioso do Movimento.

Chiara Lubich tinha-lhe indicado uma frase da Escritura, extraída do Salmo 27, “Se me puserem em batalha, ali porei a minha esperança”, com a qual Giuseppe Zanghì soube identificar plenamente a sua figura espiritual e humana.

Deixa-nos um grande vazio, mas também um exemplo do que significa ser discípulo de um carisma: fidelidade absoluta, liberdade absoluta, criatividade absoluta.