«Descobri um Ideal pelo qual vale a pena arriscar toda a vida». Foram palavras de José Carlos, em 1980, depois de ter conhecido os gen (jovens dos Focolares) de Recife, a sua cidade. Dois anos depois fez a opção de ficar com eles: «Decidi aderir ao Ideal com consciência e seriedade: quero viver pela unidade do mundo».

A decisão corajosa de colocar o Evangelho em prática, no dia a dia, passa a caracterizar a sua vida de estudante e, depois, de professor de português. Carlinhos, como todos o chamam, torna-se uma referência para muitas pessoas. Ele sabe estabelecer relacionamentos sinceros, perceber os problemas, sugerir soluções e contagiar todos com o seu entusiasmo.

Em 1990 decide transferir-se, com outros gen, para um local muito pobre, a Ilha de Santa Terezinha, para «dar a vida pela própria gente». Lá ele deixa uma marca de luz e de alegria.

Em 1996 descobre uma doença grave. Escreve aos gen: «Há muito tempo queria escrever a vocês, não o fiz antes porque não queria fazê-lo sem alegria. Tenho um problema no pulmão. Fui internado e fiz muitos exames. Sentia-me muito cansado e não conseguia fazer nada. Apesar de tudo encontrei também aspectos positivos. Jesus está presente, não sei se consigo amá-lo sempre, mas Ele está sempre aqui. Ofereço tudo, cada dia, pelos nossos objetivos. Do gen “imóvel”, Carlinhos».

Logo deve começar a quimioterapia. Os gen contam: «Quando ele soube disse-nos: “Tenho medo, não quero perder os cabelos, vou ficar feio”». Para demonstrar-lhe sua amizade todos os gen raspam os cabelos. «No dia seguinte fomos todos visitá-lo. Nós ríamos, e ele ficou super feliz!».

Carlinhos melhora e pode voltar a ensinar. Recebe uma acolhida muito calorosa: o diretor, os professores, todos os alunos e funcionários interrompem as aulas e correm para festejar com ele. Cada aluno entrega-lhe um diário, onde havia escrito o que Carlinhos representa para ele.

Em fevereiro os gen organizam o tradicional “Carnaval alternativo”, com mais d 250 jovens. Carlinhos consegue participar e conta a todos a sua experiência, fala de Deus Amor, do sofrimento e do seu desejo de jamais deter-se, amando até o fim. Todos estavam impressionados, escutando em silêncio.

Enfrentar a doença não é simples. Assim ele escreve a Chiara Lubich: «Algumas vezes não consigo ver Jesus em todo esse sofrimento que passo, perco a paciência e fico triste». Chiara o encoraja: «Lembre que estou ao seu lado, até o fim. Maria, nossa mãe, o ajudará sempre».

Poucos dias antes de sua partida para o céu, um focolarino lhe recorda: «És tu, Senhor, o meu único bem». E ele, com muita dificuldade para falar, levanta o polegar para cima.

No último dia está imóvel na cama. Um gen que o acompanha sussurra: «Se você partir nestes dias mande um sinal do paraíso. Quando chegar lá, se o céu estiver coberto, faça com que o sol brilhe para nós».

No dia seguinte Carlinhos partiu. O clima no funeral é de paz e serenidade. É um dia escuro e chuvoso, mas enquanto os gen o carregam abre-se no céu uma pequena nesga azul, que cresce aos poucos até que o céu fica todo azul, maravilhoso…