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Durante os trabalhos da Assembleia

Um balanço, 10 anos após o Summit Mundial sobre a Sociedade da Informação (Tunísia, 2005): construir uma sociedade da informação centralizada na pessoa, inclusiva e orientada ao desenvolvimento, contribuir para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, encontrar formas de financiamento adequadas a um desenvolvimento équo das infraestruturas de comunicação, individualizar mecanismos comuns e eficazes de gestão da internet. Como avançamos neste último decênio?

Foi esta a questão que a Assembleia Geral das Nações Unidas procurou responder no Meeting dedicado ao “WSIS+10”, sobre a sociedade da informação, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, dias 15 e 16 de dezembro passado. O trabalho de avaliação foi complexo, com a contribuição de muitos analistas, e produziu um documento final adotado, por unanimidade, pelas delegações dos vários países. Conversamos com o engenheiro Cesare Borin, da delegação de New Humanity, ONG ligada ao Movimento dos Focolares, que participou do Fórum.

«A partir do WSIS de Genebra (2003) e Tunísia (2005) o trabalho da ONU adotou uma abordagem aberta à colaboração de vários atores, inclusive a sociedade civil, da qual New Humanity é parte, o setor privado, os governos e as organizações internacionais. Já na Tunísia havíamos participado com um grupo de NetOne, em colaboração com os projetos experimentais de ESA e Alcatel; New Humanity foi responsável pela tradução, em italiano e português, do documento final. Nos anos sucessivos participamos de vários IGF (os fóruns sobre o governo da Internet, que iniciaram justamente do WSIS), sempre representando New Humanity, estabelecendo contatos com muitas pessoas».

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Com Fadi Cheadè, presidente da ICANN (no centro), organização no profit que gerencia a atribuição dos nomes de domínio na Internet

E hoje? Qual a contribuição da New Humanity sobre os temas específicos tratados?
«Na nossa delegação éramos seis pessoas: eu, italiano, a brasileira Maria Luiza Bigati, a mexicana Maria del Rocio Ortega, ambas engenheiras de computação, Betsy Dugas, dos Estados Unidos, também engenheira de computação, Joe Klock e Anne Marie Cottone, da representação permanente da New Humanity junto à sede da ONU em Nova Iorque».

Nos meses precedentes, New Humanity enviou a sua contribuição ao documento final, este é fruto de uma mediação que reuniu grandes questões atuais, como o terrorismo, a tutela dos direitos humanos, a proteção das liberdades individuais. Colocar em confronto as grandes diferenças de sensibilidade que cada país evidencia, e encontrar um cerne comum compartilhado, representa um grande resultado. O WSIS tornou-se um espaço de diálogo, ainda que árduo, mas que permite distinguir novas formas de “governança”».

A ONG internacional New Humanity trabalhou por mais de dez anos em projetos de desenvolvimento das capacidades das comunidades mais pobres da África Subsaariana, da Ásia e da América Latina…
«O acesso à informação tornou-se um dos direitos fundamentais do homem do nosso milênio. Poder estar incluídos é importante como responder a necessidades essenciais, como a instrução e a saúde. Nos nossos projetos procuramos ter sempre, como objetivo primário, o envolvimento total das comunidades locais às quais eles são destinados, como uma confirmação de que os princípios expressos não são uma mera esperança».