Padre Lino nasceu em 1933 numa bela família da província de Pescara (Itália). Aos 12 anos, convicto da sua vocação, entrou no seminário, e com pouco mais de 22 anos foi ordenado sacerdote. Foi o seu bispo que lhe falou do Movimento dos Focolares, ele que também havia sido atraído por aquela realidade limpidamente evangélica, nascida em Trento poucos anos antes. Foi o bispo que pediu a Graziella De Luca, uma das primeiras companheiras de Chiara Lubich, que fosse até o pequeno lugarejo onde Pe. Lino era pároco, para que transmitisse a ele essa novidade de vida. Pe. Lino ficou fascinado.

«Naquele breve tempo – ele mesmo contou – vi toda a minha vida condensar-se e harmonizar-se, encontrei a resposta à busca de liberdade e aos anseios que sempre havia nutrido. Aquele encontro foi o meu “Tabor”, uma “volta para casa”, uma imersão na grande família de origem do Pai de todos nós».

Desde aquele momento Pe. Lino tornou-se parte viva da nascente comunidade do Movimento na região de Abruzzo e, mais tarde, membro do primeiro focolare sacerdotal da região. Foi chamado para trabalhar como secretário do bispo e posteriormente assumiu a direção espiritual do seminário maior de Chieti. Tinha pouco mais de 30 anos. Ao redor dele formou-se um pequeno grupo de seminaristas atraídos pelo idealismo que Pe. Lino professava. Era um pródromo do Movimento Gens que nasceria dois anos depois.

Em 1968 obteve a permissão de transferir-se para a República dos Camarões, para a Mariápolis permanente que estava iniciando em Fontem e que, devido às numerosas conversões que começavam a surgir, necessitava de uma paróquia. Logo que chegou contraiu a doença do sono. Foi salvo pela competência e a coragem dos focolarinos médicos. Durante esse momento de provação foi fundamental o seu relacionamento com Chiara Lubich.

Escreveu a ela: «Cada vez mais vão se unificando aquelas realidade que, convergindo para o Alto, tornam-se uma só: Jesus Abandonado, Maria Desolada, Deus, a vida de unidade com Ele, as práticas de piedade e a relação com o mundo externo. Cada vez mais sinto a necessidade de tornar-me transparente e vazio, para que o encontro com cada próximo exprima somente Deus».

O testemunho de unidade entre ele, sacerdote, com as focolarinas e os focolarinos, ao lado da doação desinteressada para com todos, produzia frutos maravilhosos. Na Páscoa de 1970, em Fontem, o bispo administrou o sacramento da crisma a 1080 pessoas.

Em 1974, devido a algumas sequelas da doença contraída na sua chegada à África, foi necessário que voltasse para a Itália. Desde então Pe. Lino esteve no Centro sacerdotal dos Focolares. Chiara confiou a ele o nascente setor dos sacerdotes e diáconos voluntários, ao qual ele se dedicou durante 33 anos. Assim exprimiu-se Pe. Tonino Gandolfo, que em 2009 assumiu o encargo conduzido até então por Pe. Lino: «Tinha por todos um amor pessoal muito intenso, impregnado de afeto sobrenatural. E também uma profunda capacidade de escuta. Não oferecia soluções pré-definidas, mas colocava-se ao lado do outro para que a luz emergisse da pessoa que se havia confidenciado com ele, como fruto de um relacionamento vivido em Deus».

«Obrigado, Pe. Lino, pela sua vida – lê-se num dos depoimentos chegados depois de sua morte -, pela generosa disponibilidade com que respondeu ao chamado de Deus; obrigado pelas sutis intuições espirituais que nos doou nas suas essenciais e luminosas homilias. Obrigado por ter sido para nós um irmão mais velho, pai, servidor da Verdade, construtor, com Chiara, de um movimento que, também graças a você, está fazendo “história”».