Os depoimentos dos participantes de uma tarde de encontro demonstram a repercussão da aplicação dos princípio da EdC em projetos que estimulam o desenvolvimento local.

Repercute em Fortaleza (CE) a participação de cerca de 30 jovens no I Encontro de Agentes Comunitários com o professor da Universidade de Milão, Luigino Bruni, diretor do Curso de Aperfeiçoamento em Economia Civil e Sem Fins Lucrativos, e do consultor da Economia de Comunhão, Francesco Totorella. Um modelo de ação inovador, baseado na reciprocidade, foi o centro das discussões que envolvem a gestão compartilhada de projetos e empreendimentos econômicos e sociais.

Tanto o projeto Casa Digital do Campo quanto o Arca das Letras propõem a inclusão, principalmente, de pessoas inspiradas por essa visão, por meio das ferramentas da informática e da leitura. Baseia-se, nos princípios da EdC, com a parceria do Governo do Estado do Ceará, na execução, e do Governo Federal, que oferece os computares e a internet banda larga.

Conjuntamente, os projetos promovem, no meio rural, o Curso de Agente Comunitário de Inclusão Digital e Gestão Compartilhada. O curso dura 11 dias e, conforme a metodologia empregada, seus facilitadores exercem também o papel de ”animadores” do desenvolvimento das comunidades nas quais ele é realizado.

Legado do encontro - O encontro de Bruni e Tortorella com esses animadores ocorreu na tarde do dia 17 de julho. Seu legado pode ser constatado nos depoimentos colhidos entre os protagonistas do projeto Casa Digital do Campo, por exemplo. Aqui, registramos alguns deles:

RENNÊ – Economia de Comunhão tem tudo pra ajudar no desenvolvimento da nossa comunidade, desde que as pessoas entendam a verdadeira ideia do que é a EdC: que é o DOAR de forma recíproca, ou seja, eliminar a ideia de assistencialismo, fazer com que as pessoas se sintam partes necessárias na elaboração e desenvolvimento dos seus próprios projetos. Isso me ajudou a diferenciar empreendedor do especulador e, consequentemente, inserir esse lado de empreendedor no contexto do Projeto Casa Digital.

NAIANE – Pudemos abrir os olhos e nos aprofundar mais na proposta da EdC. Alargamos o conhecimento e a vontade de levar esse projeto pra frente, junto com a proposta do Projeto Casa Digital do Campo.

JUNIOR – Gostei muito de aprender mais sobre a Economia de Comunhão e ver, através, não só, da fala de Luigino e Francesco, mas de experiências concretas, que a postura econômica contemporânea pode ser modificada em função do beneficio comum. Chamou muito a minha atenção a conduta do não paternalista nas relações de trabalho que leva as pessoas a desenvolverem seus projetos sem se sentirem alheias no processo de produção e utilização dos lucros.

ROBSON – Explicar realmente sobre a experiência que vivi durante esse dia é meio difícil, porque é algo inexplicável. São momentos que ficam dentro de nós, que fazem com que abramos nossos olhos para um novo mundo, com mais amor, mais união e esperança. [...] Somos jovens, temos que ter coragem, atitude, trabalhar e ariscar. Luigino usou como exemplo ‘A parábola do bom samaritano’. Se você vê uma pessoa na rua pedindo, você ajudaria mais dando a ela uma moeda ou uma oportunidade de emprego? Em outro momento, o professor disse que “não devemos ajudar porque somos pessoas boazinhas, mas porque queremos um mundo melhor ”[...]  Só tenho a agradecer porque agora posso compreender realmente o que é a Economia de Comunhão como propõe Chiara Lubich, a fundadora do Movimento dos Focolares.

Ideia original – Chiara Lubich, em maio de 1991, afirmou: Ao contrário da economia consumista, baseada na cultura do ‘ter’, a Economia de Comunhão é a economia da partilha. Isso pode parecer difícil, árduo, heróico. Mas não é assim, pois o homem, criado à imagem de Deus, que é Amor, encontra a sua realização justamente no amor, na partilha. Esta exigência reside no mais íntimo do seu ser, quer ele tenha fé ou não. E é nesta constatação, comprovada pela nossa experiência, que está a esperança de uma difusão universal da ECONOMIA DE COMUNHÃO.

Nascia ali um projeto que hoje envolve 800 empresas em todo o mundo, 167 das quais localizadas no Brasil, todas animadas por uma nova forma de agir na Economia, centrada na distribuição dos lucros e não no seu acúmulo.

 

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