Apesar da pandemia, a comunidade dos Focolares se organiza para proporcionar eventos importantes de unidade e fraternidade, mas desta vez online!

Para os adeptos do Movimento dos Focolares, a chegada de julho tem uma representatividade a mais, algo para celebrar: a abertura da temporada das Mariápolis, um evento anual e tradicional do movimento. Quem já participou sabe que o nome significa “cidade de Maria” e por isso são espaços de confraternização, partilha, fraternidade, amizade e reencontros, onde reúnem-se pessoas de todas as idades, classes e pensamentos.

“A Mariápolis é um grande mosaico, onde cada pessoa e/ou comunidade é uma peça importante que a compõe. Lá, formam-se relacionamentos verdadeiros, baseados na vivência do Evangelho que leva cada um de seus participantes a dar um passo à frente nos relacionamentos fraternos. Após esta experiência macro com tantas outras comunidades, voltamos à nossa própria com uma dimensão maior e bem mais profunda do que é ser verdadeiramente uma família”, relata Veronica Koni, focolarina da região de Bauru (SP).

Ano passado, com a chegada da pandemia da Covid-19, a comunidade teve que se adaptar para garantir a segurança de todos, mas sem deixá-los sem este evento tão importante. Algumas cidades conseguiram se organizar e realizaram o evento online em 2020. Já outras se estruturam para começar este ano. É o caso da cidade de São Paulo. 

“Essa é uma novidade para a gente. Parecia que realizar uma mariápolis online seria uma coisa impossível, porque pensávamos que ela tinha que ser presencial, um ao lado do outro construindo, dialogando, compartilhando experiências de vida e edificando a mariápolis. Porém, isso mudou e vimos que seguindo a lei da mariápolis que é o amor recíproco, conseguimos descobrir como nos amar também virtualmente”, nos fala Múcio Brum Cardoso, focolarino que participa da organização do evento na capital paulista.

O jovem Daniel de Almeida Neves vive em São Gonçalo (RJ) e já participou de várias mariápolis. Ele acredita que seu ponto auge são os encontros de geração e reencontros de amizades que tem como centro a partilha e a unidade. Por causa dessa conexão, ele enxerga que a mariápolis online é desafio, mas acredita que o Movimento conseguirá ultrapassar essa barreira se todos e todas permanecerem em unidade e no desejo de estar junto ao próximo, mesmo distante geograficamente

Experiências do online

“Para mim e meu esposo a mariápolis é o ponto alto na vivência do ideal de Chiara. Durante o ano vivemos o carisma da unidade, mas nela nos fortalecemos. Por isso, fazíamos o possível para ser construtores da cidade de Maria, isso é o mais importante”, conta Maria Elibens Rocha Ribeiro, carinhosamente conhecida como Mariazinha, que vive em Vila Velha (ES) e participa das mariápolis desde 1984. 

Ano passado, devido a pandemia, ela assistiu praticamente todas as mariápolis online que ocorreram no Brasil. Segundo ela, era perceptível o amor das pessoas pelo movimento e o sentimento de superação das barreiras que a pandemia colocou no caminho. Agora, Mariazinha arregaça as mangas em casa para a ajudar como pode na preparação da Mariápolis capixaba online que acontece em agosto. 

Zélia e Carlos Carneiro vivem uma experiência parecida. O casal participou da primeira mariápolis em 1989 e não queriam estar de fora ano passado, então também participaram das virtuais, de norte a sul do país.  “E o que mais nos marcou nelas foi o momento cultural, onde identificamos tão bem o amor e alegria que cada um e cada uma vivenciava naquele momento. A mariápolis é sem dúvidas um momento de renovação e alegria”, afirmam. 

Agendas das Mariápolis online

Regional Santa Maria: 02 a 04 de julho.

MG/RJ/ES: 08 a 14/08.

Regional de Manaus: 04 a 07/09.

AL/BA/SE: 23 a 26/09.

Regional Sul: 10 a 12/09.

MA/PI/CE: 10 a 12/09.

RN/PB/ PE: “A coragem de abraçar a humanidade”, de 02 a 04 de julho 

SP/MS: “Nova cultura: tecendo diálogos”, de 09 a 11 de julho 

Benevides (PA): “E a vida renasce…”, de 01 a 04 de julho

Como tudo começou: respeito, amor e unidade

Foi no período pós Segunda Guerra Mundial, onde a reparação das feridas e dos danos incontáveis provocados por terríveis conflitos pesavam a vida dos povos europeus, que algumas famílias, jovens, profissionais, políticos e operários começaram a se reunir nos verões em Trento, região ao norte da Itália. Este pequeno grupo representava o nascimento do Movimento dos Focolares no mundo, orientados pelas palavras e experiências de Chiara Lubich.

Nesses dias, o respeito era a base, o amor era a maior fonte de calor e a unidade o alimento mais importante. E assim era formada a maquete de uma nova sociedade renovada pelo amor ao evangelho. 

Não pense que eram apenas italianos que se encontravam por lá. Já neste início alemães, tiroleses e franceses compunham os hóspedes desta “nova cidade”. Não demorou muito para que essa ideia fosse levada para outras regiões italianas, outros países ou continentes. 

Foi em 1952 que ocorreu a primeira mariápolis datada fora das fronteiras italianas e em 1958 nos continentes extra-europeus. Somente um ano depois, mais de 10 mil pessoas de 27 países de continentes distintos participaram do evento em Fiera di Primiero, onde aquele pequeno grupo se reunia nos verões. 

“Amar a pátria alheia como a nossa”, por essas palavras Chiara exprime o verdadeiro senso de fraternidade global, sentimento pulsante experimentado no dia a dia desses eventos. Hoje, o movimento está em mais de 180 países ao redor do mundo e as mariápolis são vividas em todos os cinco continentes. 

Texto de Teresa Breda.