OS EVANGELHOS nos mostram muitas vezes como Jesus aceita de bom grado os convites para o almoço: são momentos de encontro, ocasiões para firmar amizades e consolidar relações sociais. 

Nesse trecho do Evangelho de Lucas, Jesus observa o comportamento dos convidados: uma correria para ocupar os primeiros lugares, aqueles que são reservados às personalidades; é palpável a ânsia de querer sobressair diante dos outros. 

Mas Ele tem em mente um outro banquete: aquele que será oferecido a todos os filhos na casa do Pai, sem “direitos adquiridos” em nome de uma suposta superioridade. 

Pelo contrário: os primeiros lugares serão reservados justamente para aqueles que escolhem o último lugar, o do serviço aos outros. Por isso Ele proclama: 

“Pois todo o que se exaltar será humilhado, e o que se humilhar será exaltado.”

Quando nos colocamos no centro, com a nossa avidez, o nosso orgulho, as nossas pretensões, as nossas reclamações, caímos na tentação da idolatria, que é a adoração de falsos deuses, que não merecem honra nem confiança. 

O primeiro convite de Jesus parece, portanto, ser este: descermos do “pedestal” do nosso eu, para colocarmos no centro não o nosso egoísmo, mas, decididamente, o próprio Deus. Ele, sim, pode ocupar o lugar de honra na nossa vida! 

É importante dar espaço a Ele, aprofundar o nosso relacionamento com Ele, aprender com Ele o estilo evangélico do rebaixamento. De fato: colocar-nos livremente no último lugar significa escolher o lugar que o próprio Deus escolheu para si, em Jesus. Ele, mesmo sendo o Senhor, optou por partilhar a condição humana, para anunciar a todos o amor do Pai.

“Pois todo o que se exaltar será humilhado, e o que se humilhar será exaltado.” 

Nessa “escola” aprendemos também a construir a fraternidade, ou seja, a comunidade solidária de homens e mulheres, adultos e crianças, sadios e doentes, capazes de construir pontes e de se colocar a serviço do bem comum. 

Assim como Jesus, também nós podemos acercar-nos do nosso próximo sem medo, colocar-nos ao lado dele para caminharmos juntos nos momentos difíceis e alegres, valorizar as suas qualidades, compartilhar bens materiais e espirituais, encorajar, dar esperança, perdoar. Alcançaremos o primado da caridade e da liberdade dos filhos de Deus. 

Em um mundo doente de carreirismo, que corrompe a sociedade, isso significa realmente ir contracorrente; é uma revolução fiel em tudo ao Evangelho. 

É esta a lei da comunidade cristã, como escreve também o apóstolo Paulo: “Cada um de vós, com toda a humildade, considere os outros superiores a si mesmo”. 1

“Pois todo o que se exaltar será humilhado, e o que se humilhar será exaltado.” 

Como escreveu Chiara Lubich: Você já observou? No mundo, as coisas acontecem de modo completamente diferente. Vigora a lei do egoísmo. (…) E conhecemos as dolorosas consequências: (…) injustiças e prevaricações de todo tipo. (…) Porém, o pensamento de Jesus não se refere diretamente a todos esses abusos, mas à raiz de onde eles brotam: o coração humano. (…) Para Ele, é preciso transformar justamente o coração e assumir, consequentemente, uma atitude nova, necessária para estabelecer relacionamentos autênticos e justos. Ser humilde não significa apenas não ser ambicioso, mas estar consciente do próprio nada, sentir-se pequeno diante de Deus e, portanto, colocar-se em suas mãos, como uma criança. (…) 

Como poderemos viver bem esse rebaixamento? Praticando-o, a exemplo de Jesus, por amor aos irmãos e às irmãs. O que você fizer a eles, Deus o considera feito a Si. Portanto, rebaixamento: servir a todos. (…) A exaltação virá, com certeza, no mundo novo, na outra vida. Mas, para quem vive na Igreja, essa inversão de situações já é um fato. Com efeito: quem governa deve ser como alguém que serve. Portanto, já é uma situação modificada. Desse modo, onde se vivem as palavras que acabamos de aprofundar, a Igreja já é para a humanidade um sinal do mundo que há de vir.2

Por Letizia Magri