Chegamos em Juruti em novembro de 2023. No início, escolhemos uma casa que parecia adequada: não era luxuosa, tinha boa localização no centro, com vista para o rio. Oferecia também boas acomodações — 3 suítes e quartos com privacidade, separados da área social.
Com o tempo, porém, fomos percebendo outras coisas. A localização no centro e o tipo de construção passavam uma imagem de um nível social mais alto que a maioria das pessoas da cidade. O valor do aluguel também era bem acima da média das casas mais simples de Juruti. Isso começou a nos incomodar. Além de que algumas de nós, focolarinas, não estavam tão bem naquela casa por outros motivos, o que indicava que talvez precisássemos mudar de casa.
Iniciamos então um processo de discernimento juntas. Nele ficou claro para todas nós uma exigência: morar numa casa mais parecida com as casas da maioria das pessoas aqui, em bairros mais dentro da cidade. Não queríamos nos destacar pela nossa moradia.
Encontramos uma casa com aluguel bem mais barato. Em troca, perdemos em conforto: ficamos com apenas uma suíte, os quartos não são mais separados da área social, e o banheiro social passou a ser o do dia a dia.
Mas colocando tudo na balança, sentimos que era a escolha certa. Era um passo para sermos “um” com a realidade local, mesmo que isso significasse abrir mão de conforto. Em compensação, ganhamos: é uma casa mais adequada para receber os encontros que fazemos e para o trabalho de cada uma. E por ser menor, ela nos aproximou ainda mais. Passamos a nos relacionar de modo mais estreito.
O mais bonito de tudo foi o caminho. Fazer esse percurso de discernimento juntas, com muita escuta e respeito, fez o amor crescer entre nós. Saímos desse processo com muita paz, com a certeza de que essa é a casa que Deus pensou para nós neste momento presente.
