“Tende coragem! Eu venci o mundo.” (Jo 16,33) | Palavra de Vida Novembro 2026

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SEJAMOS francos: no contexto histórico em que vivemos, e sendo inundados por notícias cada dia mais alarmantes, esta Palavra de Vida até parece “fora de lugar”. Realmente, tudo nos leva a desanimar. Sentimo-nos encurralados entre duas frentes: uma, a falta de segurança diante de situações que nos oprimem; a outra, a expectativa de sucesso que nos condiciona.

É justamente de um contexto parecido com esse que o Evangelho de João nos fala. Os apóstolos estão reunidos ao redor de Jesus durante a Última Ceia. Nesse cenário se alternam dramaticamente a fraternidade e a traição, o dom total de si e as trevas do mal. Jesus lhes dirige um discurso final, a fim de prepará-los para a provação da Paixão, mas também lhes assegura que, após a morte, voltará. Ele mesmo os adverte: “No mundo” eles poderão ser impactados por tempestades e desilusões, mas Nele encontrarão sempre paz e plenitude de vida.

Suas palavras são uma promessa que traz esperança:

“Tende coragem! Eu venci o mundo.”

As circunstâncias externas e as nossas fragilidades nos causam medo e sofrimento; mas Jesus nos convida a nos confiarmos a Ele, a reconhecermos também hoje os sinais da sua presença em nossa vida, para vermos a realidade em uma perspectiva nova.

Chiara Lubich escreve: “Se existe uma realidade misteriosa na nossa vida, essa é o sofrimento. […] Até alguém que está próximo a nós e nos quer bem, frequentemente é incapaz de nos ajudar a superá-la; mesmo assim, às vezes nos basta que alguém se disponha a dividir a dor conosco, embora em silêncio. Foi isso que Jesus fez: Ele veio para estar perto de cada homem, de cada mulher, até participar de tudo o que é nosso. Ainda mais, Ele tomou sobre si todas as nossas dores e se fez dor conosco, até o ponto de gritar: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’ (Mt 27,4). […] Cada dor física, moral, espiritual me faz lembrar Dele, é uma presença sua, um semblante seu. Posso dizer: ‘Neste sofrimento eu te amo, Jesus Abandonado. És tu que, assumindo como tua a minha dor, vens me visitar. Então eu quero a ti, abraço a ti!’ Depois, se estivermos atentos em amar, em corresponder à sua graça, em querer aquilo que Deus quer de nós no momento seguinte, em viver a nossa vida por Ele, experimentaremos que, na maioria das vezes, a dor desaparece. E isso porque o amor atrai os dons do Espírito Santo: alegria, luz, paz1.” 

 “Tende coragem! Eu venci o mundo.”

Permitamos que, inclusive nos momentos de escuridão, seja Ele mesmo em nós aquele que vence o mal com o bem, que supera a nossa tentação de fechar o coração, que se faz próximo dos irmãos, servindo-os com amor, tanto nas pequenas ações diárias quando em nosso engajamento social a serviço do bem comum. 

O amor mútuo na comunidade também dá provas da proximidade do Senhor e nos dá coragem. Foi essa a experiência vivida pelo jovem Javier, da República Dominicana: 

“Eu estava visitando meu primo e resolvi me divertir, escalando um muro no pátio. Mas o muro desabou em cima de mim, esmagando minha perna direita. No hospital, falei aos meus pais que eu não conseguia mais suportar a dor. Meu pai me disse com ternura: ‘É como participar do sofrimento de Jesus: tente abraçar essa dor’. Quando me acordei, percebi que minha perna tinha sido amputada. No início, chorei muito, mas aos poucos fui me acalmando interiormente, confiando que Deus tinha um plano para mim.

Graças ao amor e ao apoio dos jovens da nossa comunidade e de outras pessoas ao redor do mundo, agora tenho uma prótese provisória e daqui a alguns meses vou receber uma prótese permanente. Aos poucos, a vida em casa voltou ao normal. Ajudo nas tarefas domésticas, passo tempo com minha família e até consegui terminar o ano letivo com notas excelentes. Todos – minha família, meus amigos e a equipe do hospital – ficaram impressionados com a calma e a atitude positiva que tenho procurado manter.”

Organizado por Letizia Magri com a comissão da Palavra de Vida 

1) LUBICH, Chiara. Um grito de amor. Palavra de Vida, março de 2005.

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