Oficinas do Projeto Amazônia alcançam famílias inteiras no Pará

Entre os dias 10 e 20 de julho de 2026, foi realizada mais uma edição do Projeto Amazônia, reunindo profissionais de diferentes áreas do conhecimento e de diversos estados do país para uma experiência de voluntariado em Bujaru, município do Pará.

Durante a programação, os voluntários atuaram por meio de atendimentos e oficinas temáticas dedicadas à saúde, à espiritualidade e ao cuidado com o meio ambiente.

“O Projeto Amazônia possui a sua maneira própria de cuidar das pessoas, que é através da escuta e do atendimento humanizado. E isso é um diferencial que se vê e se toca conforme testemunho das pessoas”, compartilha Marinês do Socorro Cardoso da Silva, coordenadora do projeto.

Uma equipe a serviço das comunidades

Segundo Marinês, a equipe voluntária costuma realizar atendimentos nas unidades de saúde em horários alternativos ou de forma a colaborar com os profissionais que já atuam nesses espaços.

Neste ano, participaram como voluntários médicos, odontologistas, fonoaudiólogos, biomédicos, massoterapeutas, enfermeiros, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e psicólogos.

Logo nos primeiros dias, uma médica pediatra, auxiliada por dois acadêmicos de Medicina, realizou inúmeros atendimentos.

“Já no início veio até nós uma senhora com problema de obesidade e que estava com a pressão muito alta, à beira de ter um AVC. Foi imediatamente socorrida pela equipe do projeto e depois foi transportada de rabeta (canoa motorizada) para o hospital local”, narra Marinês.

A odontopediatra e a dentista, por sua vez, criaram um espaço acolhedor para os atendimentos, fazendo com que, na maioria dos casos, o medo tão comum do consultório dentário fosse quase imperceptível.

Cuidado e prevenção mesmo diante dos desafios

Nem sempre, porém, os profissionais encontram a estrutura física à qual estão acostumados. Aqueles que não dependem de consultórios específicos adaptam o trabalho às condições disponíveis, realizando atendimentos embaixo de árvores, em salas de aula ou em outros espaços ao ar livre.

“Na reunião de avaliação, elas [profissionais] contaram que, mesmo se não foram ajudadas pelo ambiente, fizeram inúmeros atendimentos onde tiveram que tratar traumas, como uma família inteira que foi vítima de naufrágio, ou uma criança com uma comorbidade que não conseguia usar uma das mãos, mas que depois de uma sessão de arteterapia e outra de terapia ocupacional já conseguia usar as duas”, explica a coordenadora.

Segundo Marinês, a evolução da criança foi comemorada por todo o grupo. Em um dos momentos de convivência, ela pegou uma peconha – espécie de coroa tecida com a folha do açaizeiro e utilizada na colheita do açaí – e passou a colocá-la e retirá-la, com as duas mãos, da cabeça de cada um dos voluntários.

Diante dos desafios de infraestrutura, as oficinas também se tornam importantes ferramentas de prevenção, formação e cuidado. Entre os temas trabalhados estiveram higiene bucal, alimentação, cuidados com idosos, câncer de pele, arteterapia, saúde preventiva da mulher, violência doméstica, saúde mental, educação ambiental, prevenção ao abuso sexual envolvendo crianças e mulheres, gravidez na adolescência, feminicídio e questões relacionadas à separação matrimonial.

Espiritualidade e cuidado com as relações

Conclusão da oficina de cuidadores.

Além das atividades ligadas à saúde, outro ponto forte do projeto foi a oficina de espiritualidade, pensada para ir além da dimensão religiosa e trabalhar também o cuidado com as emoções, o fortalecimento dos vínculos comunitários e formas de enfrentar os conflitos cotidianos por meio de vivências fundamentadas na cultura da paz, da fraternidade e da solidariedade.

Uma experiência relatada durante a atividade estabeleceu uma ligação inesperada com um dos atendimentos realizados pela equipe.

“O marido da senhora socorrida por quase ter tido um AVC participou da oficina de espiritualidade e disse que já experimentou ali o milagre do amor, pois exatamente naquele momento o Projeto estava naquela Ilha para atender sua esposa”, conta Marinês.

A arte no processo do cuidado

Com a presença de uma pintora, uma escritora, uma atriz e várias pedagogas, uma programação artística e educativa também foi preparada para as famílias. Graças à mobilização das equipes voluntárias, foi possível providenciar materiais para pintura em tela, peças de teatro, contação de histórias e diferentes atividades pedagógicas.

A equipe contava ainda com um advogado e mestre de xadrez que, quando não estava prestando consultoria jurídica, colocava-se à disposição para ensinar o jogo aos interessados.

Ao final de um dos dias de atividades, uma criança resumiu sua experiência para as instrutoras: “Tia, hoje foi o dia mais feliz da minha vida”.

Empreendedorismo em destaque

A oficina “Jornadas Empreendedoras – Um Desafio para o Desenvolvimento Rural Sustentável” foi outro destaque desta edição.

A atividade foi ministrada por uma profissional enviada pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará (SDA), que já conhecia o projeto. A oficina foi direcionada prioritariamente aos jovens e às mulheres das comunidades rurais, com o objetivo de promover reflexões sobre empreendedorismo, organização comunitária, educação financeira, cooperativismo, políticas públicas e fortalecimento da agricultura familiar.

De acordo com Marinês, a atividade também criou uma oportunidade para reunir produtores de açaí da região em um diálogo aberto sobre maneiras de fazer com que a renda gerada pelo produto circule nas próprias comunidades. Segundo o relato, atualmente grande parte desses recursos permanece com os chamados “atravessadores” do processo.

Uma imersão na realidade amazônica

Ao final da experiência, os voluntários foram unânimes ao definir o Projeto Amazônia como uma imersão no modo de vida das comunidades locais.

A convivência também reforçou entre os participantes a percepção de que essas populações exercem um papel fundamental na proteção da fauna e da flora amazônicas e, ao mesmo tempo, precisam do apoio da sociedade para fortalecer esse cuidado.

Entre atendimentos, oficinas, escuta e convivência, o Projeto Amazônia segue buscando colocar as pessoas no centro de suas ações, promovendo o cuidado de maneira integral e construído em diálogo com as próprias comunidades.

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