Pedro Paulo Viana Lopes: coração ardente que continua a pulsar em nós

Pedro Paulo Viana Lopes partiu para a Mariápolis Celeste no dia 22 de julho de 2025. Conheça sua linda história de vida pelo Ideal da Unidade.

Nascido em Belém do Pará, no coração da Amazônia, Pedro Paulo Viana Lopes conheceu o Movimento em abril de 1965, na paróquia que frequentava. Ali, o sacerdote italiano Angelo Rivato iniciava a primeira comunidade de internos do Movimento no Norte do Brasil.

Oriundo de uma família simples, mas profundamente enraizada em valores cristãos e na devoção a Nossa Senhora de Nazaré, Pedro Paulo era, naquela época, um jovem estudioso e trabalhador. Sonhava em constituir uma bela família, embora muitos ao seu redor vissem nele uma vocação clara ao sacerdócio ou à vida consagrada.

Com suas primeiras experiências no Ideal de Chiara, essas duas dimensões — o desejo de formar uma família e a sede de Deus — começaram a se entrelaçar. A ponto de os que o conheciam enxergarem nele um consagrado e, de fato, ele sentiu um chamado interior para doar sua vida inteiramente ao Focolare.

É o próprio Pedro Paulo que nos conta:

“Em abril de 1966, em um momento de oração numa capela, senti claramente: ‘Vem e segue-me’. Era algo tão nítido que eu não podia negar. Poderia ter dito que era imaginação, um sonho ou cansaço, mas sabia, no mais íntimo do meu ser, que Jesus, presente no sacrário, me havia dito isso. Eu não sabia como seguir esse chamado. Não queria ser padre, nem irmão marista, nem ingressar em outra congregação religiosa. Queria me casar. Mas aquela voz era clara: ‘Vem e segue-me’.”

Assim nasce o primeiro Focolare na Amazônia brasileira.

Naquele mesmo ano, 1966, Chiara veio ao Brasil. Embora não tenha visitado Belém, passou por Recife e São Paulo. Avisaram então que quem quisesse poderia escrever-lhe. Pedro Paulo escreveu, apresentando-se e compartilhando o que sentia — que queria seguir seus passos, mas não sabia como. Explicou ainda sua condição humilde, que tornava difícil deixar Belém para viver em outra cidade, como Recife ou São Paulo, pois sua família ainda dependia dele.

Pouco depois, Chiara respondeu que já havia pensado em dois Focolarinos para começar o Focolare Masculino em Belém, e se Pedro Paulo quisesse, poderia ser o terceiro. Como a autorização do bispo dependia da presença de três pessoas, essa resposta foi decisiva. Pedro Paulo iniciou sua preparação e, junto com Chiara e o Movimento, começou a construir aquela que viria a ser sua família universal.

Jesus logo se manifestou como Abandonado para Pedro Paulo. Ao comunicar sua decisão ao pai, enfrentou forte oposição, a ponto de seu pai recorrer ao bispo para tentar dissuadi-lo. A incompreensão paterna foi, por anos, um espinho na alma que o forjou como verdadeiro discípulo do Ideal da Unidade. Mas Jesus não se deixa vencer em generosidade: nos últimos dias de vida, o pai de Pedro Paulo se viu cercado por Focolarinos e Focolarinas, como um sinal de que, mesmo sem entender, abençoava a vocação do filho.

Em 1969, Pedro Paulo foi para a Itália (Loppiano) iniciar a escola de formação dos Focolarinos, que durou apenas um ano. Um acontecimento extraordinário o levou a interromper os estudos: Chiara precisava de professores para fundar uma escola em um vilarejo no meio da floresta africana, em Fontem, nos Camarões. Com formação em Matemática, Pedro Paulo tinha o perfil ideal para essa missão.

Poucos sabem, pois ele raramente contava essa história, mas Chiara, ao comunicar à comunidade que ele partiria para a África, disse: “Envio meu coração para a África”. Ela o havia batizado com o nome novo: Cuore (Coração) — expressão do vínculo profundo que haviam cultivado ao longo daqueles anos.

Ali, entre a República dos Camarões e o Quênia, Pedro Paulo viveu por quase 32 anos, doando-se completamente à construção da Obra de Maria. Esses anos na África alargaram seu coração, permitindo-lhe concretizar o sonho de formar uma família — não uma família comum, mas uma família universal. E embora seu coração tenha se expandido, seu nome encolheu: agora todos o conheciam simplesmente como Pepê.

Quem convivia com Pepê logo percebia sua capacidade de amar a todos — jovens, crianças, adultos, pobres, ricos — de forma autêntica e fraterna. Era natural chamá-lo de Pepê, pois ele se fazia próximo como um verdadeiro membro da família.

Quando retornou a Belém em 2004, certa vez um jovem do Movimento precisou de ajuda para se mudar. No dia da mudança, lá estava Pepê, de boné, pronto para carregar caixas e o que mais fosse necessário. Um pequeno gesto que marcou profundamente aquele jovem. E assim ele era com todos: presente, disponível, simples.

Antonio Cunha, um Focolarino em formação, nos conta:

“Foi graças à sabedoria e coerência de Pepê que permaneci no Focolare. Em um momento difícil, em que fui deixado no silêncio e sem explicações enquanto os demais Focolarinos foram para Loppiano, decidi ir embora, pois percebi que não era considerado um Focolarino. Mas antes, pedi um colóquio com Pepê. Saí daquela conversa com a maior lição de vida sobre a Unidade no Focolare. Ele me disse: ‘Se você veio aqui atrás de uma receita para viver a Unidade, vá embora, porque não tenho receitas. Seja você mesmo, autêntico, e construa a Unidade como você é’. Sua humildade, autenticidade e santidade tornaram-se meu modelo de vida.”

Pepê era apaixonado por agendas: nelas anotava aniversários e datas importantes de todos ao seu redor. Nunca esquecia uma mensagem, um gesto de carinho, uma oração. Assim, conquistava a amizade e admiração de muitos.

Também tinha fascínio por tecnologia. Um dia, perguntou a Anchieta: “Como faço para ter TikTok no meu celular?”. Uma pergunta simples, mas reveladora da sua curiosidade e entusiasmo com a vida — sempre aberta, viva, jovem no espírito.

E os defeitos de Pepê? Ele os tinha?
Sim, como todos. Mas certa vez, uma Voluntária do Movimento respondendo a um Focolarino que insinuava isso, disse: “Nem quero conhece-los, pois alguém que transmite tanta luz e amor, transforma qualquer defeito em caridade viva”.

E assim era Pepê. Todos que conviveram com ele guardam a lembrança de um homem que amava sem medida e cuja vida foi um testemunho: a caridade cobre uma multidão de pecados.

Cesar Wagner, um Focolarino que viveu com ele, escreveu:

“Tive a graça de conviver com ele no início da minha vida no Focolare. O que mais me marcou foi sua paixão pela justiça e coerência de vida. Obrigado, meu grande mestre da Unidade!”

Sérgio Previdi, outro Focolarino, relata:

“Pepê foi meu responsável no Focolare quando me candidatei a prefeito. Vivemos uma intensa experiência de Unidade. Na última carreata, eu estava em cima da caminhonete e vi, sozinho, aquele homem com óculos grossos. Era Pepê. Sua presença foi o sinal e a garantia da presença de Jesus em nosso meio naquele momento da minha vida.”

Hoje, com plena confiança nas promessas de Jesus, sabemos que Pepê está no seio do Pai, junto de Maria — a quem tanto amava —, de Chiara Lubich e de toda a Mariápolis celeste. Recebemos inúmeras mensagens nas redes sociais, especialmente de jovens, compartilhando suas experiências com Pepê — reflexo de um dom altíssimo que ele recebeu de Deus: a paternidade espiritual, que gera filhos para Deus e para a verdadeira santidade.

A jovem Lara, de Castanhal, escreveu no Facebook:

“Não teremos mais aquelas mensagens carinhosas de aniversário… ele nunca esquecia ninguém! Nem a festa ao nos reencontrar, o sorriso que acolhe, o olhar que acalma… Sempre que o via, via um santo. Escolhemos Pepê como padrinho, pois sabíamos que ele já vivia com o coração no céu. Seu jeito simples, sua humildade, sua acolhida sem distinções, nunca serão esquecidos.”

Em um colóquio com Sandro, responsável dos Focolarinos no Brasil, Pepê, com um sorriso largo, disse:

“Estou no Focolare de João Pessoa, onde me sinto bem, mas se a Obra achar que posso servir melhor em outro lugar, estou pronto para partir.”

Pepê viveu assim, construindo a família que sempre sonhou ter — uma família universal. Um verdadeiro Focolarino, que frutificou o nome que Chiara lhe deu: Cuore. Viveu intensamente sua Palavra de Vida — Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade — e hoje se torna, para todos nós que ainda caminhamos nesta terra, um modelo de amor concreto, de doação radical e de fidelidade serena ao Evangelho.

Sua vida foi um reflexo ardente do Amor de Deus, e seu legado permanecerá vivo em cada pessoa que ele tocou com seu coração alargado. Que o testemunho de Pepê continue a nos inspirar na construção de um mundo novo, mais fraterno, mais unido.

Que todos sejam um!

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