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Muito mais do que uma professora de português para os haitianos

Quando o bispo de Joinville, Francisco Carlos Bach propôs à Universidade Católica de Santa Catarina para reiniciar um projeto de ensino de português aos imigrantes haitianos, Glacy Gurgaz não imaginava que essa iniciativa transformaria tanto a sua vida e a vida daqueles haitianos.
Logo que a Universidade cedeu uma sala, Glacy, que é professora de português e francês, se colocou à disposição para dar aulas, todos os sábados, das 14h às 17h.

“Iniciando as aulas percebi que muitos, nem eram alfabetizados, vinham com fome e frio. Muitas são mães, trazem os filhos para as aulas porque não tem com quem deixar”, contou Glacy.
O primeiro pedido foi para a própria Universidade: um lanche para saciar a fome dos imigrantes antes das aulas. Mas esse era só o começo.
Glacy então mobilizou a comunidade dos Focolares, vizinhos, amigos da paróquia para conseguir doações de roupas, a fim de agasalhar aquelas pessoas durante o inverno.

“Dos 60 inscritos conseguimos vestir a todos. Tornei-me uma amiga deles. Para mim não era só ensinar, mas acolher, amar e suprir as suas necessidades”, completou Glacy.
As aulas se tornaram um espaço de convivência, de socialização, onde os haitianos podiam se sentir em família novamente.
“Vicente, meu esposo, também se envolveu. Conseguiu 28 empregos com empresários. E com as nossas famílias da comunidade, conseguimos três bicicletas, pois muito não tinham dinheiro para ônibus para ir trabalhar”, finalizou Glacy.
 
 

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